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Rapariga com Sol

" Há pessoas que transformam o Sol numa mancha amarela, mas há aquelas pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol " Pablo Picasso

Rapariga com Sol

" Há pessoas que transformam o Sol numa mancha amarela, mas há aquelas pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol " Pablo Picasso

27.09.16

Insónias


Margarida

Insónias. Acontece-me sempre que ando estafada, fico irritada e tenho insónia, fico horas a fio a olhar para o tecto, como se lá estivesse plantado a solução. Passo a vida a reclamar da fraqueza das pessoas que claudicam e tomam drogas, qualquer uma, mesmo para dormir. Por isso, passo horas sem dormir, invariavelmente a ler e a olhar o tecto, de manhã tenho olheiras que chegam ao meio da cara, que importa.

 

 

Então, ontem pela madrugada e farta de cama, sentei-me ao computador. Eis senão, que de repente me surge a fotografia do ex-defunto, não sei como lá cheguei, fiquei perplexa, tanto, que não sabia se havia de chorar ou rir, deu-me os nervos e desatei a rir a olhar aquele estorvo que um dia dei para reciclagem.

Devagarinho como apanhada em falta, fechei esta geringonça e voltei para a cama, devo ter adormecido de repente porque não me lembro de mais nada.

Drogas para quê?

A melhor droga é rir de mim mesma.

 

 

 

25.09.16

Mijar fluorescencia


Margarida

Uma mulher, depois de longas doze horas de trabalho, entre gente doente, quando acaba,vem cansada marada, f****** e mal paga.

Abre o PC e dá de caras com a noticia.

Afinal qual a diferença entre uma garota de programa e o Socrates? (quero lá saber do assento) Nenhuma.

Afinal o estrupissio não diz que vive à conta, por conta (de faz de conta) de um amigo? Ou seja, ele chula o amigo, o que dá em troca não sei, ele há dramas do caraças.

A noticia é que o gajinho diz que vai escrever um livro, e avisa que não é de mexericos, nem ele é paranóico,

em alegada referencia ao Saraivada, mas está-se mesmo  a ver derrapa para uma merda igual, desconfio sempre de engenheiros que mijam fluorescente com diplomas domingueiros.

O que eu gostava mesmo é que o homem Zé ao amanhecer tropeçasse no tapete e bate-se com os queixos na trava da cama (do Saraiva?) mordesse a língua, partisse os queixos e partisse o dedinho médio da mão direita.

Tétrico.

Confrangedor.

Mas dá gozo ao meu cansaço.

 

 

 

 

 

 

 

21.09.16

Outono Boreal


Margarida

Hoje é quinta-feira. Um dia qualquer...

Mas tenho ainda viva em mim uma simples hora do dia de ontem. Passageira.

Começava a escurecer. Ia pelo corredor e encostei-me à ombreira de uma porta. E tive vontade de dizer (mas a quem? nem sequer o sabia!) Vê, olha comigo...deixa-me descansar em ti este espírito e este corpo mole...

Uma mulher deve naturalmente nascer e morrer a dizer destas coisas, em mente, até se cansar...

Encostada ali àquela porta, que estava eu, sem querer, figurando? A eterna insegurança, o eterno desejo.

A vida corria, desdobrava-se, dava sinais de si por lugares que eu desconhecia, em que não tinha acolhida...Escapava-se-me, como sempre.

Se eu pudesse explicar bem os meus apetites... que quereria naquele momento? Nada! Creio que nada.

Como tantas vezes, tinha vontade de chorar, de me cansar, sobretudo.

Aquelas luzes da cidade a acender-se a acompanhar-me...friamente, elegantemente!

E eu, uma mulher, um ser íntegro, vivo, encostada para ali à ombreira de uma porta! Longe de mim todas as correspondências. Longe, ou impossíveis!

 

Irene Lisboa

 

 

 

19.09.16

Envaginado


Margarida

Dizia Hipócrates, que a língua é a última coisa que morre numa mulher, era sacana, mas é nisto que penso quando me disponho a arranjar assunto para escrever nesta merdice de blogue.

Diga eu o que disser, é bla! bla! bla! Gaguez mental.

Ora, eu que não esqueço, que 5 letras separam extraordinário de ordinário, muitas vezes nem consigo encontrar " extra" que seja, para botar aqui o bla! bla!

Arranjar assunto, se vejo televisão fico pasmada que nem D. Diniz a olhar pr'as rosas, jornais chateiam-me, sempre os mesmos f.***"&## e assuntos que me roubam a paciência.

Fico-me invariavelmente pelos livros de gente Extraordinária e dois ou três blogues que estimo e donde retiro preciosidades Extraordinárias, a última das quais, é o blogue de uma moça de seu nome Mónica que decidiu chamar ao seu blogue " Cona Culta " ora isto é que é ter imaginação p'ra escrita

http:// conaculta.blogs. sapo.pt

 

Ora topem lá isto s.f.f. e deixemo-nos de bla! bla!

 

 

 

 

 

19.09.16

Provocações


Margarida

Este mundo blogueiro é tramado.

E eu à espreita, lá vou conseguindo perceber os esquemas e, vez em quando, com uns querid@s e beijinhºs, afinfo-lhes o desabafo provocatório.

 

Sim, porque não caio na xaropada de gasto excessivo de comprimidos contra a acidez de estômago.

Substituo rapidamente pela acidez verbal, e ainda, lhes dou pano para escrita, amiguinha eu!

 

Feitios!

 

 

 

 

 

14.09.16

Cascais


Margarida

Por estes dias, tive de ir a Cascais. Fui de comboio como convém a uma proletária sem carro, que vai a Cascais ver de um, baratinho....

Adoro comboios, durante as trajectórias sonho que me farto e durante a viajem a olhar o Tejo, lembrei-me da explicação que há uns anos li da origem da palavra Cascais, dada pela Rita Ferro numa das suas famosas cronicas, aos domingos no Diário de Noticias a que ela deu o sugestivo titulo de "Lesa Magestade"

Nunca mais disse Cascais sem galhofar.  Aos domingos comprava o jornal basicamente para ler a Rita Ferro e passados que são 15 ou 16 anos ainda me fascina relembrar, à gente que nos marca, nos alimenta o espírito e nos acrescenta.

A estória sobre a origem do nome Cascais, envolvia D. Afonso Henriques que segundo constava andava a concubinar com uma galdéria numa estalagem da zona, a rainha furiosa pede ao filho, que se bem me lembro a Rita chama de Sanchinho, para a acompanhar no reconhecimento do flagrante, e, confirmada a traição,a rainha desata à cacetada ao rei, que naquele tempo as mulheres não se alheavam, às tantas já era o rei que malhava na rainha e aflito o Sanchinho perguntou: " Meu pai, porque lhe cascais?"

A estória contada pela Rita Ferro, concerteza tem outras nuances mas " Meu pai, porque lhe cascais?" leva-me a rir sempre que oiço Cascais.

 

 

 

11.09.16

Manolos!


Margarida

E, finalmente, o mar. O poiso na esplanada eleita, os passeios por Lisboa.

Assim; quando os outros começam a recolher o verão, eu avanço na contraluz mar adentro.

 

Mas ainda não é o tempo certo. Certo é, que dei de caras com um Manolo Sanches de Sevilha, tal qual o descreve Natália Correia, pronto a amolar a faca, e ainda, um velho lambão, a comer pasteis de nata à dúzia a escorrer creme pelas beiças, ao lado de uma dama calada e triste, pudera!

 

Portanto, finalmente, o mar tem de esperar, até que todos os Manolos Sanches de Sevilha recolham ao Intendente, que é outra espécie de Sevilha.

 

 

 

04.09.16

Luísa


Margarida

Luísa Luísa hoje não. Hoje queria estar longe não aqui,na Place Pigalle, na Plaza Mayor, na Patagónia nas nuvens, menos aqui, a ouvir-te repetir sem parar a mesma estória com que brincas e me chateias.

Queria tanto saber onde pôr as virgulas os pontos de exclamação, travessão-parágrafo quebra de linha e escrever palavras impressionistas, inventa-las como o O'Neill, mas esse já morreu, embora o P. duvide porque os poetas não morrem, mas morrem Luísa, para mal dos pecados dos que escrevem mal e não sabem de virgulas ou pontos.

Sim Luísa, estou a tentar não te ouvir, não estabelecer contacto visual, não te tocar, deixo-te órfã no teu mundo, talvez muitos tenham passado por ti sem te verem, caramba Luísa, sucede a todos e nem por isso morremos, o que te mata Luísa é de outro teor, o rancor que tens aos teus dias cinzentos. Não te olharam, nem eu agora quero ver-te, mas fala mulher, desabafa pra-í e faz o obséquio a ti própria de nos esquecer.

Como posso alhear-me de ti, fazer de conta que leio o raio do Ulisses até ao fim e roubo as vírgulas ao Joyce ou ler a Gavalda e copiar-lhe o estilo ou o Maupin e escondo-me de tão pequena que sou.

 

Vá lá Luísa, cala-te. Agora preciso concentrar-me nos números, um cm a mais e vais falar hebraico com o Criador, mas não, não te calas nem ficas quieta e lá ando eu de seringa na mão, até que te berro te espanto e te espeto. Desculpa Luísa, e sorrio-te enquanto vou pensando na gramática dos dias sem pontuação e te vou ganhando aos pontos ao ver o teu rosto serenar o corpo a ceder devagarinho.

Aconchego-te em silêncio, o meu e o teu finalmente e enquanto repousas na curva do meu braço, fico a olhar o resto de luz que vive no teu rosto e pergunto-me como puderam eles passar por ti sem te verem, sem te tocarem, esqueces-te, só isso Luísa, descansa agora companheira das tuas labutas imaginadas, enquanto eu, talvez agora, possa exactamente pôr ponto final.

 

 

 

 

03.09.16

Porque Não ?


Margarida

 

 

Se vos faz escrever mais e bem, ou assim assim, e se vos dou o mote porque não?

Interessa apenas recordar o provérbio budista;

 

" Um dedo aponta a Lua, uma vez reconhecida a Lua, apenas um tolo fica a olhar o dedo "

 

 

 

 

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