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Rapariga com Sol

" Há pessoas que transformam o Sol numa mancha amarela, mas há aquelas pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol " Pablo Picasso

Rapariga com Sol

" Há pessoas que transformam o Sol numa mancha amarela, mas há aquelas pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol " Pablo Picasso

31.01.17

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Margarida

" COM A TRISTEZA O SOL NÃO SE MOSTRA"

William Shakespeare

 

21.01.17

Três Dedinhos em Uníssono


Margarida

Há um destaque de uma moça, que ensina a formular as técnicas do desejo de emagrecer, parece-me que é também o desejo de centenas de outras moças para o novo ano.

Então moças, o melhor mesmo é comer pouco, melhor ainda é não comer e só beber e muito melhor ainda, direi primordial, é conhecer e praticar o "Método Silva" que foi mesmo de onde a moça do destaque retirou o processo.

Claro que se pode remendar e substituir passos, pois bem, não emagrecem a ponta de um corno.

Então vão na Internet pesquisar o velhinho "Método Silva", é grátis e os fundamentos básicos estão lá todos para emagrecer, engordar, vender a casa, arranjar homem ou estacionar o carro na rua mais movimentada.

Não digam que nada vos ensino, 3 dedinhos em uníssono e lá vamos nós a caminho da felicidade.

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17.01.17

A Tesoura de Átropos


Margarida

Admiro os que ficam em silêncio perante a morte, que lhe dão a importância e respeito que merece, apesar do incomodo e da perturbação que exerce sobre os que ficam na vida.

Muitos, foi mesmo um corropio que julguei sem fim, falaram, disseram, inventaram, mentiram sobre a morte de Mário Soares, todos,sem excessão, foram almoçar a sua casa, creio até,que ficavam de véspera guardando lugar à mesa.

Estou habituada a lidar com a morte de homens e mulheres, que à sua maneira, foram os heróis da sua própria vida, por isso, por saber, na hora da despedida costumo cantar baixinho um cantigo de honra e respeito. Não é a primeira vez que o digo, e advém de saber ouvir as velhas histórias dos homens, no lugar de olhar a calada fria e inóspita memória de muros.

Foi muito difícil eu chegar a este "estádio", precisei aceitar limitações banhadas a lágrimas e, em cada porta do inferno deixar algo que na verdade não me pertencia, pequenas mortes que foram necessárias para saber esperar tranquila a entrada final num bosque de álamos pretos e atravessar o Estige. Li Robert Graves, segundo ele, Estige (que significa ódio) " contém águas que são veneno mortal, mas que também podem conferir imortalidade".

Sem nunca ter votado no Dr Mário Soares, achando-o excessivo, abrupto e néscio em muitas ocasiões, mas reconhecendo a sua coragem e contributo para a Liberdade não só em Portugal mas no mundo, liberdade que me permite por exemplo escrever o que me apraz.

Sem nunca ter almoçado com ele nem tomado chá, que é coisa que os comensais do Dr Mário Soares, na maioria também não tomaram, mas respeitando a Moira que lhe coube e que ele honrou, esperei que se calassem muitas vozes, contudo desejando que os que verdadeiramente o honraram em silêncio, jamais permitam que a sua memória atravesse o Letes.

15.01.17

Se Não Tenho Nada a Dizer o Melhor é Estar Calada.


Margarida

 

" Je suis toujours autre chose que ce que ce je suis vraiment, je ne suis jamais vraiment ce que vous croyez que je suis. Je suis parmi vous tout à fait par hasard et presque par illusion. Je n'ai jamais cessé de me quitter"

Jean D'Ormesson

 

Sendo assim, calada fico, perante tanta palavra inútil, tanto acto estúpido na nostalgia das inteligências transtornadas.

Somos todos vraiment outra coisa de ser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08.01.17

Da Viagem Estou Farta


Margarida

Sou muito viajada. Nada me leva a lembrar por onde andei

de todos os lugares, nunca saí de Lisboa

encontrei muita gente nas ruas e praças da vida

não sei quem são, não me lembro

nunca tive amores devassos

nem traços de exactidão

sempre confundi a Praça de São Marcos 

com o Terreiro do Paço

sempre confundi a burguesia Londrina

com as varinas da Madragoa

e o relógio sempre marcou a diferença

entre as horas de moer o tempo que faltava

que falta

que lembro na paisagem

que deixei para nunca mais.

 

 

 

04.01.17

Momentos


Margarida

Hoje, decidi tempo para isto.

É uma questão de desamor, nem sempre me apetece ter tempo para deitar fora, o meu trabalho não engloba um computador e eu não invento que agora não posso porque tenho um novo projecto, ou peço desculpa pelo tempo em atraso. Não me apetece, ponto.

 

Há alguns anos, nos últimos de vida de minha mãe, aos fins de semana, ia-mos estrada fora até Lagos sua terra natal, para lhe poder proporcionar a alegria de estar com a sua família, digo sua porque a mim não me diziam népia, só a circunstancia de um " como vai". Deixava-a com os sobrinhos e afins e eu instalava-me nos Edifícios da Marina rodeada de mar, nas costas a Meia-Praia, à frente a Marina com os barquinhos a balançar frente á Cidade que conheço como as minhas mãos. Coisa de criança e de uma avó.

Sentava-me na esplanada do bar da esquina e tomava o pequeno almoço entre livros cadernos lápis e o balouçar dos veleiros, um dia dou com os olhos num deles de nome maluco, onde um homem se afadigava na sua manutenção. Conhecia-o à muitos anos, não sabia do veleiro nem do seu mar, fiquei de pequeno sorriso a olhar com prazer aquela cena, mas achei-me a espiolhar, afinal o homem nem sabia que o olhava e preferi voltar aos livros e cadernos e escrevi o que se me achou conveniente à situação.

Escrevi, pus-lhe data e hora e uma pequena anotação, não lhe dei nome. Este escrito já serviu de muito para definir barcas e arcas, ilusões, ondas e espuma de pensamentos. Adiante.

Há dias, veio-me à ideia,tentar saber dos amigos que deixei quando a vida me levou para longe, e o google é tramado, um espião que tudo sabe e conta. 

E então sorri, ao fim de tantos anos, foi o próprio homem do veleiro com nome maluco, que deu nome ao meu poema qual José Luís Tinoco. Há 3 anos o homem criou uma empresa a que deu o nome de ........mar.

Engraçada a vida. O meu amigo está vivo, de saúde e continua a guardar o mar nas palavras.

Fico sempre feliz quando a vida faz sentido.

 

 

 

 

02.01.17

Doeu mas já passou.


Margarida

É mesmo isto, doeu, foi solitário no meio de alguns, mas vai passar.

Tempo senhores! Com o tempo vai passar, assim o relógio não pare.

Só valeu ficar horas a olhar o mar, valeu mesmo.